terça-feira, outubro 21, 2008

Resquícios da ditadura. Controle sobre o ser humano. Não obtendo a compreensão do próximo, vai lá e bate, agride verbalmente, ameaça. Isso tudo é categorizado como violência doméstica.
A maioria das pessoas acha normal, mas o simples fato de uma mulher não sair de casa enquanto o marido não chega já é um tipo de violência.
Esse fenômeno atinge todas as classes sociais. Desde a mulher com maior poder socioeconômico, mas que depende financeiramente do marido, até a dona-de-casa sem estudos, que fica o tempo todo em casa cuidando dos filhos.
Apesar de a maioria da população brasileira ser constituída por mulheres, principalmente quando elas se tornam chefes de família, o ranço machista persiste, como a idéia de que o homem é detentor do poder. E que a mulher, em alguns momentos, ainda é o sexo frágil.
Geralmente, as mulheres vítimas de agressão sentem-se envergonhadas, não denunciam o companheiro agressor. Isso agrava o quadro de violência. O agressor se sente encorajado a agredir por saber que a vítima não tem coragem de denunciar.
Por ser crônica a violência contra a mulher, até uma lei federal foi instituída. É a nº11.340/2006, mais conhecida como Lei Maria da Penha, que visa dar melhor proteção, e com rapidez, para as vítimas, ou seja, em 48 horas o agressor pode ser afastado de casa e proibido de se aproximar da vítima e de seus filhos.
Alguns governos chegaram a adotar medidas para proteger o sexo feminino. No ABC, por exemplo, a Prefeitura de Santo André instituiu um programa de atendimento e proteção a mulheres agredidas. A Secretaria de Inclusão Social do município criou casas de apoio para recebê-las, inclusive os filhos.
A reportagem ouviu duas dessas mulheres, que, depois de constantes agressões por parte dos maridos, deixaram suas casas e estão sendo apoiadas para reconstruir suas vidas. Leia a seguir a trajetória de Bruna Antonia e Maria Rita, que sob a condição de usar esses nomes fictícios como forma de proteção, contaram um pouco de suas vidas.
“O amanhã sempre será melhor que hoje”. Com essa frase e um sorriso estampado no rosto, Bruna Antonia começou a contar a sua história.
Com 28 anos, mãe de duas meninas e um menino, ela já possui uma vasta experiência em sofrer nas mãos do homem a quem jurou amor eterno. “Eu pensava: ‘Amanhã eu vou levantar e me jogar na frente de um caminhão, acabar com tudo’. Eu não via mais saída”.
Casada por oito anos, Bruna diz que só teve paz nos primeiros cinco meses de casamento.
Depois, começaram a vir as proibições.“Eu não podia ver mais a minha mãe, falar com as minhas amigas, ir ao mercado sozinha, eu não tinha mais vida própria”.
O motivo das brigas e discussões era sempre o mesmo: ciúme. “Eu chegava em casa do serviço à noite. Ele falava: ‘Vamos ter uma conversa’. E aí acabou. Quando queria me bater mesmo, era até na frente das crianças”.
Bruna alega que não tinha como pedir ajuda. Eram muitas ameaças. De matar sua família, seus amigos. Tudo isso a deixava com tanto medo que fazia desistir de falar com alguém. Afirmou que via o medo estampado no rosto de seus filhos. Disse que queria fazer algo, para eles não pensarem que ela não tinha capacidade para defendê-los, mas não conseguia.
As humilhações eram tantas que Bruna só resolveu tomar uma atitude quando as suas filhas começaram a ser agredidas verbalmente pelo pai e, então, foi a uma delegacia de polícia. “Resolvi pedir ajuda mesmo por causa das minhas crianças”.
Hoje, até ri da situação. Mas Bruna lembra que, ao ir ao distrito policial, não teve como registrar o boletim de ocorrência. A delegacia estava fora de sistema, um caos. Ela tentou conversar com a delegada, que pediu para todas as mulheres voltarem outro dia.
“Como voltar amanhã? Hoje eu chego em casa, e a hora que meu marido me perguntar onde eu estava, vou dizer: ‘Na delegacia, registrando um boletim contra você’. Ele vai me matar”, disse a jovem à delegada.
A autoridade policial, então, passou a Bruna o nome de uma assistente social, pedindo-lhe que a procurasse. Naquele momento, Bruna conta que perguntou às crianças se elas queriam voltar para casa. “Não, mãe”. A partir daquele momento, ela pensou: “Aquela vida não me pertence mais”.
Depois de todo esse transtorno na delegacia a mãe e seus três filhos foram encaminhados para um lugar que pudessem ajudá-los.
Bruna contou que não foi um choque chegar a uma casa e ver outras mulheres na mesma situação que ela. “Qualquer outro canto era melhor que a minha casa”, disse demonstrando alívio. E completou “Estou aqui há um mês e meio. Consigo ter paz para tomar qualquer decisão, coisa que na minha casa eu não tinha mais coragem”.
Adotando o lema “hoje foi bom, amanhã tem que ser melhor”, Bruna está retomando a sua vida. “Na minha casa eu não podia pintar o cabelo, usar saia, não podia gastar o dinheiro que era meu. Hoje eu posso tudo, eu sou dona da minha vida.”
O futuro, segundo Bruna, em seus pensamentos está garantido. Pretende trabalhar, para seus filhos terem uma vida melhor. “Quero que meus filhos façam uma faculdade.”
Apesar do trauma do primeiro casamento, disse que encararia outro relacionamento “Eu namoraria outra pessoa, ninguém é perfeito. Não encararia agora, ainda mais porque minha prioridade são meus filhos, mas quem sabe um dia”.
Para as mulheres que estão passando pela mesma situação que Bruna viveu, a jovem deixa um conselho:“Diria para uma mulher nunca deixar um homem falar mais alto que ela. Não apanhe, não queira viver uma história que não seja dela”.
Nordestina, Maria Rita vem de uma região do país marcada pelo machismo. Ainda no Nordeste, chegou a procurar auxílio quando foi agredida verbalmente pelo marido. Foi aconselhada a voltar e a se reconciliar com ele.
Marcada por uma ferida que nunca vai se cicatrizar, Maria Rita traz na sua memória uma história de paixão, medo e violência. Com espírito aventureiro, a jovem de 30 anos conta que já teve três experiências amorosas e, desses relacionamentos, cinco filhos.
“O primeiro é pai dos meus dois filhos mais velhos. Mas eu nunca vivi com ele. Foi um relacionamento rápido. O outro marido é o pai dos meus dois filhos do meio. E tem a menina, que é filha do meu agressor”, contou.
Quando ainda era casada com o seu segundo marido, Maria conheceu o futuro companheiro em uma festa. A jovem nem deu bola para o rapaz que naquele dia não passava apenas de um amigo.
Com o passar do tempo, a descoberta veio à tona e a separação foi uma conseqüência. Maria descobriu que seu atual marido estava envolvido no mundo das drogas. Três anos se passaram e o destino levou a moça ao encontro de Ronaldo (nome fictício também).
No inicio do namoro, um imprevisto mudou o rumo da história. “A mãe dele morreu. Eu não tinha todo esse sentimento de amor por ele, foi mais por pena. Porque ele só tinha a mãe. E eu, como namorada, tinha que dar um apoio, um ombro amigo”, disse Maria Rita.
Maria Rita engravidou. Depois do nascimento do bebê, o que parecia ser um sonho se tornou um pesadelo. Ameaças passaram a ser constantes e pequenas agressões faziam parte da rotina. A primeira queixa na delegacia aconteceu quando a agressão verbal atingiu seu filho mais velho.
“Depois da delegacia eu fui encaminhada para uma casa de reconciliação de casais. No lugar onde eu morava tratavam a mulher como submissa ao homem. Como ele só tinha feito agressão verbal, na audiência eu acreditei que não aconteceria outra vez e eu voltei”, disse arrependida.
Três dias se passaram e a situação piorou. “Ele começou a me surrar, me bater e falar coisas horríveis”. A partir desse momento o que acontecia entre quatro paredes se espalhou pela vizinhança. “Minha mãe sempre pensou que estava tudo bem em casa, e para os meus irmãos eu nunca falei nada, eu apanhava sozinha”.
Uma festa foi a gota d’água. O convite foi enviado somente em nome dela, pois “ninguém gostava dele”. Ao voltar do evento, ela foi novamente vítima de agressão. A ponto de um dia, enquanto era esmurrada, pegar uma faca e desferir três golpes no marido.
Maria Rita saiu de casa com os filhos. E viu que não havia volta. Ela diz que, em plena audiência judicial, foi novamente ameaçada pelo marido, na frente do juiz. Para auxiliá-la, a Justiça encaminhou a mulher e parte de seus filhos para esse programa em Santo André. Há um ano e meio ela vive separada de três dos cinco filhos. Hoje, busca reabilitação através de um emprego. Sua vida está completamente diferente, sua maior dificuldade é encarar vida longe dos filhos e deixar de acompanhar o crescimento das crianças. Mas infelizmente, pelas ameaças sofridas, Maria Rita está impedida de voltar para sua casa.
Mesmo assim, a esperança está estampada no olhar de uma mulher que hoje vive por amor.
Outlet Social - 12:56 > - <$BlogItemCommentCount$> Comentários
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Um estilo? Uma idéia? Uma forma de se expressar... Não é questão de moda ou de consumo, e sim de provar que podemos ser e fazer o que quisermos!! Como mostrar isso? Pela roupa que vou usar é claro!!! -----------------------------
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O desfile de oito cabeças femininas completamente alienadas do
mundo fashion.
Beatriz, Mayra, Jamille, Thalita, Danielly, Camile, Fabiana e Grabriela são as oito estudantes de jornalismo que se aventuram nas passarelas onde idéias e comportamentos fazem parte da nova coleção. Outlet Social. Uma manifestação social através da moda Entre e fique à vontade. Estamos em liquidação. Faça sua oferta!
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